"A I Guerra Mundial seria hoje impossível na Europa"

por Abel Coelho de Morais30 janeiro 2014
O historiador francês Nicolas Offenstadt que fala hoje sobre a origem e significado da I Guerra mundial no IFP, em Lisboa
O historiador francês Nicolas Offenstadt que fala hoje sobre a origem e significado da I Guerra mundial no IFP, em Lisboa Fotografia © D.R.

O continente europeu está hoje muito diferente daquilo que era no momento em que eclodiu a Grande Guerra, defende o historiador Nicolas Offenstadt que hoje profere às 19.00 no Instituto Francês, em Lisboa, uma conferência sobre o tema, em que intervém também Nuno Severiano Teixeira. Diferença fundamental face a 1914: a existência do eixo franco-alemão 


Como podemos hoje explicar as origens da Grande Guerra?
Para compreender a Primeira Guerra Mundial é preciso entrecruzar três tempos: o tempo longo das rivalidades entre as grandes potências desde há muitas décadas na Europa, o tempo médio das tensões entre o início do século e 1914 (crise bosníaca, crises marroquinas, guerras nos Balcãs...) e a corrida às armas associadas àquelas e o tempo curto da crise do verão de 1914. É o conjunto destes três tempos que permite entender o conflito.

Era inevitável?
Como historiador, não gosto de especular sobre o que poderia ter sido. Mas alguns historiadores insistem no facto de que as crises que precedem as de o verão de 1914 poderiam ter sido resolvidas por meios pacíficos e a Europa teria conhecido decénios de paz.

Seria concebível hoje?
Não. A Grande Guerra seria hoje impossível. O continente europeu está demasiado diferente. O eixo franco-alemão está hoje no centro da construção europeia enquanto em 1914 estava no centro das rivalidades. Por outro lado, a configuração dos Estados é bastante diferente, quanto mais não seja porque desapareceu o império austro-húngaro. E a relação com a guerra e a maneira como é feita mudou totalmente.

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3658721&seccao=europa&page=-1 

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