A leitura equivocada do Jornal Folha de São Paulo sobre as romarias de Juazeiro do Norte – Por Beto Fernandes

A cidade de Juazeiro do Norte foi destacada no quadro Álbum de Viagem desta semana no Jornal olha de São Paulo. O quadro leva fotos do repórter-fotográfico Reinaldo Canato e a matéria é da jornalista Alexandra Dall’ara apresentando alguns equívocos que precisam ser reparados.
         Inicialmente a noticia retrata a vinda do fotógrafo a Romaria da Esperança em novembro próximo passado afirmando que “conhecida como a terra de padre Cícero, a cidade cearense recebe milhares de visitante nessa época todos os anos”.
         A afirmação é típica realmente de quem não esteve na cidade apurando as versões para os fatos baseando-se apenas no “achismo”, com todo respeito de que fotografou e supostamente ouviu as pessoas.
Segue ainda o jornalista: “Segundo Canato, no entanto, o fluxo tem diminuído e os moradores já falam no fim da tradição”. O que houve foi uma reclamação da ação de alguns guardas rodoviários federais que no Pernambuco fizeram os romeiros que se deslocavam em caminhões paus de arara passar por constrangimento ao ter que descer pelo posto rodoviário e esperar os carros mais a frente para que passassem vazios. Algumas multas foram lavradas e o fato foi debatido no Círculo Operário com os integrantes da Pastoral Diocesana das Romarias.

O reverendíssimo Bispo Diocesano, Dom Fernando Panico, já solicitou audiências com o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no sentido de cobrar providências para cessas essas autuações exageradas, abusivas e, repito, bastante constrangedoras, a Nação Romeira de Nossa Senhora das Dores, Padroeira de Juazeiro do Norte, e do padre Cícero. Lembro que existe a Resolução Nº 82 do Conselho Estadual de Trânsito que concede autorização especial para trânsito de pessoas em viagens por motivos religiosos (o que é o caso das romarias, elementarmente) quando não houver condições de atendimento por transporte de ônibus. Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade e pesquisa sabe que os romeiros são pobres e humildes partindo do interior, do interior, do interior do sertão nordestino em sua maioria, onde infelizmente o transporte mais usado é o caminhão que é então adaptado para as viagens.

O Jornal Folha de São Paulo poderia realizar pesquisa básica ou uma simples ligação para a Diocese de Crato, paróquias de Juazeiro ou para coordenação da Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores para saber algum contraponto e, certamente, saberia que junto ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tramita um pedido para considerar as romarias ao “Padim Pade Ciço” como “Patrimônio Imaterial do Povo Brasileiro”.

Diferente do que foi relatado na “matéria” a Romaria da Esperança de 2013 foi uma das maiores dos últimos anos com mais de 700 mil pessoas no período, mesmo o Nordeste brasileiro vivendo o segundo ano de estiagem consecutiva mostrando a religiosidade da Nação Romeira na renovação de seus votos de fé.

Dizer que romarias podem acabar é desconhecer que começaram antes mesmo do milagre da hóstia quando se transformou em sangue na boca da beata Maria do Araújo após recebê-la do santo popular padre Cícero Romão Batista. Milhares de pessoas para cá se deslocaram para viver próximas daquele homem bom que começou a evangelizar ainda num pequeno lugarejo movido por uma visão e um pedido de Jesus Cristo. O “Padim Ciço” acolhia com amor, paciência e sabedoria mostrando uma bondade vista apenas nos reais seguidores de Nosso senhor Jesus Cristo. Santo no coração de todos nós, aguardamos humildente, como tantas vezes ensinou, a reabilitação de suas ordens sacerdotais e posterior beatificação e santificação pelo Vaticano. Lembremos-nos da história do Santo Padre Pio de Pietrelcina como exemplo.

 Por fim, lembro que o catolicismo popular anda lado a lado com o catolicismo romano em Juazeiro. Uma prova? A cidade sedia o 13º Intereclesial das CEBs. A produção deste editorial está sendo encaminhada a direção do Jornal Folha de São Paulo como uma crítica construtiva para maior zelo quando forem noticiar sobre os romeiros que se deslocam para esse chão sagrado.

Obs.: Foto de Silvana Tarelho 

Fonte: http://blogdojuazeiro.blogspot.com.br/2014/01/a-leitura-equivocada-do-jornal-folha-de.html

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